In partnership with

Jornal de Cem Anos   Jornal de Cem Anos
ED 054
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A ligação de 75 dólares entre Nova York e Londres

Em 7/1/1927 abre o telefone comercial pelo Atlântico, por rádio de onda longa, a 75 dólares pelos 3 primeiros minutos.

Telefone de mesa dos anos 1920 sobre um mapa do Atlântico Norte.

Telefone e mapa do Atlântico, 1927

▼
 

Desde 1866, um cabo telegráfico lançado pelo navio Great Eastern ligava a Irlanda à Terra Nova pelo fundo do Atlântico, como registra o acervo do Science Museum de Londres. Em 7/1/1927, a primeira ligação telefônica comercial entre Nova York e Londres cruzou o mesmo oceano sem fio nenhum, pelo ar, segundo o arquivo histórico da AT&T.

Sessenta anos de cabo submarino e a voz ainda precisava voar. Os dois registros estão certos, e explicam um ao outro.

O cabo de 1866 levava pulsos de telégrafo, pontos e traços do código Morse. Uma palavra falada muda de tom centenas de vezes por segundo, e o fio de cobre daquela época borrava esses tons até virarem chiado depois de poucos quilômetros de mar.

Sem amplificador no fundo do oceano, não havia cabo capaz de carregar uma conversa de um continente a outro. A saída encontrada pelos engenheiros americanos e britânicos foi desistir do fundo e mandar a voz por ondas de rádio.

O preço saiu à altura da proeza. A tarifa foi fixada em 75 dólares pelos três primeiros minutos, e cada minuto extra custava mais 25.

Pela calculadora de inflação do Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos, os 75 dólares de janeiro de 1927 valem mais de 1.300 dólares de hoje. Três minutos de conversa custavam o aluguel de meses de um apartamento modesto em Manhattan.

Quem pagava sabia que não falava sozinho. A ligação passava por telefonistas dos dois lados, por uma estação de rádio em Long Island e outra na Inglaterra, e qualquer receptor bem sintonizado podia ouvir pedaços da conversa.

Ainda assim, a fila de pedidos começou a se formar antes da abertura. Bancos, corretoras, jornais e embaixadas tinham urgência de ouvir Londres, e o telegrama levava horas para ir e voltar com uma resposta.

As páginas abaixo começam na manhã de janeiro em que os dois chefes do telefone se falaram pela primeira vez em serviço pago, e seguem pelo caminho que a voz fazia no ar.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Primeira Página de Hoje

Três minutos pelo ar

Na manhã de 7/1/1927, Walter Sherman Gifford, presidente da AT&T (American Telephone and Telegraph, a companhia telefônica dos Estados Unidos), pegou o telefone em Nova York. Do outro lado estava Sir Evelyn Murray, secretário do General Post Office, os Correios britânicos, que eram também donos do telefone no Reino Unido.

A conversa inaugurou o serviço público. Depois dela, qualquer cliente disposto a pagar a tarifa podia reservar horário e falar com Londres.

A voz não seguia por fio depois de Long Island. Em Rocky Point, na costa norte da ilha, um transmissor de rádio lançava o sinal em onda longa, frequência baixa que acompanha a curvatura da Terra e atravessa o oceano sem depender do céu.

Na Inglaterra, o General Post Office montou o transmissor de volta em Rugby, no interior do país. Cada sentido da conversa tinha a sua estação, e a resposta britânica chegava aos Estados Unidos por uma estação receptora em Houlton, no estado do Maine.

O truque técnico que tornou a travessia possível chamava-se banda lateral única (em inglês, single sideband): em lugar de transmitir a onda inteira, o transmissor mandava só a metade que carrega a voz. A potência sobrava para cruzar o Atlântico.

O método tinha sido patenteado em 1915 pelo engenheiro John Renshaw Carson, do sistema Bell. Doze anos de testes separaram a patente do primeiro cliente pagante.

A distância entre a primeira frase de telefone e a primeira ligação transatlântica paga foi de meio século. O ponto de partida está no caderno de laboratório do inventor:

“Mr. Watson, come here, I want to see you.” ("Senhor Watson, venha aqui, quero vê-lo.")

Alexander Graham Bell, caderno de laboratório, Boston, 10/3/1876

Em 1876 a frase atravessou um corredor. Em 1927 atravessava 5.500 quilômetros de oceano, e quem estava na outra ponta não podia vir.

A ligação de 1927 não tinha cabo no oceano. O Atlântico inteiro era vencido por uma onda de rádio, e um único circuito atendia todos os clientes, uma conversa por vez.

Essa fila única mandava no serviço. Enquanto uma corretora falava com a City de Londres, nenhum outro cliente das duas margens conseguia linha para o outro lado.

A onda longa também tinha humor. Tempestades magnéticas e a estática do verão americano podiam cortar frases no meio, e as telefonistas tinham ordem de interromper a chamada quando o som ficava ruim.

A ficha da ligação:

Data: 7/1/1927
Rota: Nova York e Londres
Meio: rádio de onda longa, sem cabo
Transmissores: Rocky Point, em Long Island, e Rugby, na Inglaterra
Tarifa: 75 dólares pelos 3 primeiros minutos
Minuto extra: 25 dólares
Operadores: AT&T e General Post Office
 
 

II  O Que Aconteceu Depois

Do rádio ao cabo

A primeira fase do serviço ligava só duas cidades. Ao longo de 1927 e 1928, AT&T e General Post Office estenderam a rede, e assinantes de outras cidades americanas e britânicas passaram a ser conectados aos dois terminais.

Em 1928, a AT&T acrescentou circuitos de ondas curtas, que ricocheteiam na alta atmosfera e permitem mais de uma conversa ao mesmo tempo. A onda longa seguiu no ar como reserva para os dias de céu ruim.

Com mais circuitos, a tarifa caiu ao longo dos anos 1930 e o telefone pelo Atlântico deixou de ser exclusivo de banqueiro e embaixador. Continuou caro, e seguia exigindo reserva de horário.

A falta de sigilo cobrou o preço na guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, os correios alemães, a Deutsche Reichspost, montaram uma escuta na Holanda ocupada e decifraram conversas do rádio-telefone entre Londres e Washington, inclusive falas do primeiro-ministro Winston Churchill com o presidente Franklin Roosevelt.

A resposta aliada foi o SIGSALY, sistema de voz cifrada desenvolvido pelos Laboratórios Bell e ativado em 1943. Cada terminal ocupava uma sala inteira e usava discos com ruído aleatório para embaralhar a voz.

O cabo telefônico só chegou depois que a eletrônica resolveu o problema do fundo do mar. A solução foram repetidores, amplificadores selados instalados a intervalos ao longo do cabo, que reforçam a voz antes de ela se perder.

Em 25/9/1956 entrou em operação o TAT-1, primeiro cabo telefônico transatlântico, da Escócia à Terra Nova. Tinha capacidade para 36 conversas simultâneas, segundo o registro da AT&T, e a qualidade do som encerrou a era da estática.

Entre a ligação por rádio de 1927 e o primeiro cabo telefônico no fundo do Atlântico passaram 29 anos. Durante esse tempo inteiro, cada palavra dita entre Nova York e Londres cruzou o oceano pelo ar.

Depois do TAT-1, os satélites entraram na disputa com o Telstar, em 1962, e os cabos de fibra óptica assumiram o tráfego a partir de 1988, com o TAT-8. Hoje a maior parte das chamadas pelo Atlântico viaja por fibra no fundo do mar.

A estação de Rocky Point também mudou de função. Serviu por décadas à RCA, empresa de rádio que operava o complexo, e o terreno virou área de preservação ambiental do estado de Nova York.

A cronologia da travessia:

1866: cabo telegráfico do Great Eastern
1876: primeira frase de Bell ao telefone
1915: patente da banda lateral única de John Renshaw Carson
1927: serviço comercial por onda longa
1928: circuitos de ondas curtas
1943: voz cifrada do SIGSALY
1956: cabo telefônico TAT-1
1988: fibra óptica com o TAT-8
 

Quem banca a edição de hoje

The AI Work Handbook That Cuts Your Workday in Half

The 8-hour workday is becoming a 4-hour workday for people who know how to use AI.

Everyone else is still catching up.

This AI work playbook shows you exactly how to cut your work hours in half using AI.

Sign up for Superhuman AI and get:

  • 50+ step-by-step AI tutorials to cut your workload in half — covering every part of your workday, from emails to strategy, used by 1M+ professionals at Google, Microsoft, and NASA

  • Superhuman AI newsletter (4 min daily) so you keep discovering new AI tools and skills to stay ahead in your career — the playbook is just the start

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Anúncio da Página 3

A tabela de preços do outro lado do mar

A página: nos dias seguintes à abertura, os jornais de Nova York e de Londres noticiaram a conversa entre Gifford e Murray e publicaram a tabela de preços da ligação.

O anúncio: a tarifa de 75 dólares valia de qualquer telefone da cidade de Nova York até qualquer telefone de Londres. Em libras, o General Post Office cobrava 15 libras pelos mesmos três minutos.

A coluna: a conta chegava como qualquer outra, só que com uma linha nova. A reserva era feita pela telefonista de longa distância, que devolvia a chamada quando o circuito ficava livre e a outra ponta estava na linha.

A cobrança só começava quando as duas pessoas estavam em contato. Se a outra ponta não fosse encontrada, a reserva era cancelada sem custo, e o horário passava ao próximo da fila.

A tarifa mandava no roteiro da conversa. Quem pagava 25 dólares por minuto extra entrava na ligação com os assuntos anotados, e as telefonistas avisavam quando os três minutos estavam acabando.

Os primeiros clientes foram os que ganhavam dinheiro com a notícia antes dos outros. Corretores de Wall Street acertavam preços com a City, e redações trocavam informação que o cabo telegráfico demoraria horas para entregar.

Para quem não tinha 75 dólares, o telegrama seguia como a via do Atlântico. Cobrado por palavra, obrigava o remetente a espremer a mensagem em frases de poucas palavras, sem vírgula e sem cumprimento. O telefone vendia justamente o que o telegrama cortava: a voz, a pergunta de volta e a resposta na hora.

A ficha da tarifa, item por item:

Origem: cidade de Nova York
Destino: Londres
3 primeiros minutos: 75 dólares
Minuto extra: 25 dólares
Valor em libras: 15 libras
Reserva: pela telefonista de longa distância

“Quanto você pagaria hoje por três minutos de voz que, fora você, só o oceano inteiro podia ouvir?”

O centenário da ligação cai em 7/1/2027, uma quinta-feira. Nessa data, reconfira a tarifa e os nomes da conversa inaugural no acervo do BT Group Archives, em bt.com/about/bt/our-history.

 
 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆◆◆30

Dia 7 de 7 · a temporada de setembro fecha 30/09

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 
A Página do Seu Nascimento: oito etapas, uma por dia: A data que a família reconhece, A ficha do jornal daquela praça, A busca até a primeira página, O degrau do plano B, A transcrição da manchete, O filtro de teor, A regra de uso antes da gráfica, A folha impressa e o verso. Começar pelo dia 1.

Começar pelo dia 1 →

 
Quiz da edição

Na ligação transatlântica de 1927, qual estação recebia nos Estados Unidos o sinal de resposta vindo da Inglaterra?

ARocky Point, em Long Island
BRugby, na Inglaterra
CHoulton, no Maine
DManhattan, em Nova York

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🕰️🕰️🕰️🕰️🕰️  ótima 🕰️🕰️🕰️🕰️  boa 🕰️🕰️🕰️  ok 🕰️🕰️  ruim 🕰️  péssima
 
Escolha a edição de sábado

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai no sábado, 03/10.

Voto aberto até 01/10, 15h30

A Carta Régia da BBC →
B L'Oiseau Blanc →
C Parlamento de Canberra →
D Kevin O'Higgins →
 
 

Quem banca a edição de hoje

Free email without sacrificing your privacy

Gmail tracks you. Proton doesn’t. Get private email that puts your data — and your privacy — first.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook A Página do Seu Nascimento
ebook A Página do Seu Nascimento

Pegar meu link de indicação →

 
Amanhã nesta news

ED 055 · amanhã às 06:06

Os 25 minutos de Metropolis escondidos em Buenos Aires

Em 10/1/1927 Metropolis estreia em Berlim com mais de 2h30; meses depois perde um quarto da metragem…

 
 
 

Amanhã tem outra primeira página.

Jornal de Cem Anos

JORNAL DE CEM ANOS

A primeira página de hoje, de cem anos atrás

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter