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Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs), de Bertolt Brecht e Kurt Weill, abriu a temporada do Theater am Schiffbauerdamm, sala inaugurada em 1892 às margens do rio Spree, em Berlim.
O título promete uma ópera barata, de três moedas miúdas, o preço de um espetáculo pago por mendigos. A ideia vinha do original inglês de John Gay, escrito em 1728 como paródia das óperas italianas da moda em Londres.
A história se passa numa Londres de fachada vitoriana. Macheath, o Mackie Navalha, casa às escondidas com Polly, filha de Jonathan Peachum, dono de um negócio estranho: ele veste mendigos com trapos convincentes e cobra deles pelos pontos de esmola da cidade.
Peachum quer o genro na forca. O chefe de polícia, Tiger Brown, lutou com Macheath no exército colonial e o protege até onde consegue.
No fim, Macheath sobe ao cadafalso e é salvo por um mensageiro a cavalo. A rainha o perdoa, dá a ele um título de nobreza e uma pensão. Brecht escreveu o final feliz como deboche dos finais de ópera.
No elenco da estreia, Roma Bahn fez Polly, depois da saída de Carola Neher durante os ensaios. Erich Ponto fez Peachum, e Lotte Lenya, mulher de Weill, fez Jenny, a prostituta que entrega Macheath à polícia.
O nome de Lenya ficou fora do programa impresso por erro da gráfica. Weill, segundo o relato da própria atriz, passou a noite furioso com a omissão.
A canção mais lembrada da peça nasceu para acalmar a vaidade de um ator, e foi entregue a outro. |
A música também fugia do padrão. Weill escreveu para a Lewis Ruth Band, conjunto de jazz e dança regido por Theo Mackeben, com poucos músicos revezando saxofone, banjo, trompete, piano e percussão.
A balada de abertura segue esse espírito. O cantor de rua apresenta o bandido como um tubarão, numa estrofe traduzida aqui do texto de Brecht, Die Dreigroschenoper, 1928:
“E o tubarão tem dentes, e os traz à vista no rosto; e Macheath tem uma faca, mas a faca ninguém vê.”
A comparação diz a tese da peça: o crime de rua e o crime de terno usam a mesma lógica, só muda a roupa. Macheath fala como comerciante, e Peachum administra a miséria como uma empresa.
A cronologia da estreia:
| 1728: Ópera do Mendigo em Londres | | 1928: Tradução de Hauptmann | | Agosto de 1928: Moritat escrita nos ensaios | | 31/8/1928: Estreia em Berlim |
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