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Durante uma década, o artigo de 1929 teve poucos leitores. Fleming mantinha o fungo vivo e mandava amostras a outros laboratórios, mas ninguém extraía a substância pura.
O químico Harold Raistrick, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, tentou em 1932. Também parou: a penicilina se desfazia durante a extração.
Em 1935, o alemão Gerhard Domagk, da Bayer, mostrou que o Prontosil, uma sulfa (classe de remédios sintéticos contra bactérias), curava infecções por estreptococo. A ideia de um remédio injetável contra bactérias ganhou crédito entre os médicos.
Em 1939, o australiano Howard Florey, chefe da Sir William Dunn School of Pathology, em Oxford, montou um estudo sobre substâncias antibacterianas. O bioquímico Ernst Chain, judeu alemão refugiado na Inglaterra, achou o artigo de Fleming numa revisão da literatura.
O bioquímico Norman Heatley resolveu a extração. Criou um método de passar a penicilina para um solvente e devolvê-la à água, e cultivou o fungo em comadres de hospital, latões de leite e banheiras.
Em 25/5/1940, a equipe infectou oito camundongos com estreptococos e tratou quatro deles. Os quatro tratados sobreviveram; os outros quatro não passaram da noite. O resultado saiu na revista The Lancet ainda em 1940.
O primeiro paciente humano foi Albert Alexander, policial de Oxford, com uma infecção grave no rosto, atribuída na versão mais contada a um arranhão de espinho de roseira. Em 12/2/1941, recebeu a primeira dose na Radcliffe Infirmary.
Em poucos dias a febre baixou e o rosto desinchou. O estoque, porém, era mínimo: a equipe recuperava penicilina da urina do paciente para aplicar outra vez.
O primeiro paciente melhorou com a penicilina e piorou quando ela acabou. |
Sem droga para continuar o tratamento, a infecção voltou. Albert Alexander não resistiu e faleceu em 15/3/1941.
A equipe passou a tratar crianças, que precisavam de doses menores, e os casos seguintes terminaram em cura. Em 1941, Florey e Heatley voaram aos Estados Unidos para buscar fábrica.
Em Peoria, no estado de Illinois, o laboratório do Departamento de Agricultura americano trocou o meio de cultura por água de maceração de milho e aumentou a produção. Em 1943, a técnica Mary Hunt levou ao laboratório um melão mofado da feira, com uma cepa ainda mais produtiva.
Em 1945, Fleming, Florey e Chain dividiram o Prêmio Nobel de Medicina. Heatley, o homem da extração, ficou fora do prêmio.
A cronologia depois da placa:
| 1932: Raistrick desiste | | 25/5/1940: Teste em camundongos | | 12/2/1941: Albert Alexander tratado | | 1943: Melão de Peoria | | 1945: Nobel de Medicina |
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