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A casa não era dos pais. O duque e a duquesa de York moravam em White Lodge, no Richmond Park, longe do centro, e ainda não tinham endereço próprio em Londres.
A duquesa passou as últimas semanas na casa do pai dela, o conde de Strathmore, no número 17 da Bruton Street. A rua fica em Mayfair, a poucos passos da Berkeley Square, entre residências de família, alfaiates e salões de costura.
O trabalho de parto atravessou a noite de 20 para 21 de abril. Estavam na casa o duque de York, o obstetra Sir Henry Simson e o Secretário do Interior, avisado com antecedência e a postos para cumprir o costume.
Às 2h40 da madrugada de 21 de abril de 1926 nasceu uma menina, por cesariana. O boletim que saiu da casa naquela manhã, assinado por Simson, tinha duas frases e não usava a palavra cirurgia.
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Sua Alteza Real a Duquesa de York deu à luz uma princesa às 2h40 desta manhã. Previamente, uma certa linha de tratamento foi adotada com êxito.
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A certa linha de tratamento era a cesariana, cercada de pudor na comunicação oficial da época. A fórmula protegia a família do comentário público e avisava, para quem soubesse ler, que a operação tinha sido feita.
Em Windsor, o rei e a rainha foram acordados às quatro da manhã pelo escudeiro Reginald Seymour. Jorge V e Maria de Teck ouviram o recado, voltaram a dormir e à tarde pegaram o carro para Londres.
O diário da rainha registrou a hora e o alívio. A biografia Queen Mary, escrita por James Pope-Hennessy em 1959, transcreveu a linha: acordados às quatro da manhã por Reggie Seymour, que informou que a querida Elizabeth tinha tido uma filha às 2h40.
Do lado de fora, uma pequena multidão se formou na calçada ao longo do dia. Policiais organizaram a fila de carros que parava na frente da porta para deixar cartão de visita.
No dia seguinte os jornais de Londres deram o nascimento em espaço curto. O The Times publicou a nota e o Court Circular, e o assunto que ocupava as colunas grandes naquela semana era o carvão.
O subsídio do governo às minas terminava em 30 de abril. A comissão presidida por Herbert Samuel tinha recomendado corte de salário, os mineiros recusaram, e doze dias depois daquela madrugada a Grã-Bretanha parou na greve geral de 3 de maio de 1926.
A menina foi batizada em 29 de maio, na capela particular do Palácio de Buckingham, com o nome de Elizabeth Alexandra Mary. Cosmo Lang, então arcebispo de York, conduziu a cerimônia.
Um ministro do Interior atravessou a madrugada numa casa emprestada de Mayfair para certificar, por costume herdado de um boato de 1688, o nascimento da terceira pessoa numa fila que ninguém esperava ver andar.
A previsão de todo mundo naquela semana era simples. O príncipe de Gales tinha 31 anos, era solteiro e devia casar; os filhos dele empurrariam a menina para o quarto, o quinto, o sexto lugar da fila.
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