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Zhang Zuolin, chamado de Velho Marechal (Lao Shuai, em chinês), chefiava a camarilha de Fengtian (o grupo militar que dominava as três províncias da Manchúria). Em 1928, ocupava em Pequim o posto de generalíssimo do governo de Beiyang (o governo do norte, reconhecido no exterior).
Tinha começado a carreira como chefe de bando armado nos últimos anos do século 19. Lutou ao lado dos japoneses na guerra contra a Rússia, em 1904 e 1905, e subiu por alianças até controlar a região inteira.
O Japão via em Zhang Zuolin um sócio útil. Ele garantia ordem ao longo da Ferrovia do Sul da Manchúria, que a empresa japonesa operava desde 1906, e deixava os investimentos japoneses em paz.
Em troca, recebia armas, conselheiros militares e a tolerância de Tóquio às suas campanhas ao sul da Grande Muralha, onde disputava Pequim com outros chefes militares desde o começo da década.
A sociedade azedou na década de 1920. Zhang Zuolin passou a financiar ferrovias chinesas paralelas às japonesas e a recusar novas concessões que Tóquio pedia.
Em 1928, a Expedição do Norte, campanha do Kuomintang (o Partido Nacionalista chinês) para reunificar o país, avançava sobre Pequim. O governo do primeiro-ministro japonês Giichi Tanaka aconselhou o marechal a recuar para a Manchúria antes de perder o exército.
Tóquio queria Zhang Zuolin de volta a Mukden, vivo e enfraquecido; parte da guarnição japonesa na Manchúria o queria fora do tabuleiro. |
O coronel Daisaku Komoto, oficial de estado-maior do Exército de Kwantung, achava que o marechal tinha deixado de servir. Sem ele, calculava, a Manchúria cairia em desordem, e a guarnição teria pretexto para ocupar a região.
Komoto preparou o atentado com um pequeno grupo de oficiais. O capitão Kaneo Tomiya, que comandava a guarda daquele trecho, ficou encarregado de acionar a carga quando o trem passasse.
O ponto foi escolhido pela geografia da ferrovia. Em Huanggutun, a linha chinesa de Pequim a Mukden passava por baixo da linha japonesa, e a ponte ficava dentro da faixa vigiada por soldados do Japão.
Os dois corpos do relatório completavam o roteiro. Segundo o depoimento de Ryukichi Tanaka em 1946, eram homens recrutados para a encenação e executados no local, para dar rosto chinês ao ataque.
O plano de ocupação, porém, não andou. O filho do marechal manteve a tropa disciplinada, a Manchúria não entrou em caos, e o Exército de Kwantung ficou sem motivo para marchar.
A cronologia do atentado:
| 3/6/1928: trem deixa Pequim | | 4/6/1928, 5h20: explosão em Huanggutun | | 4/6/1928: Zhang Zuolin não resiste | | 21/6/1928: família anuncia o desfecho |
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