|
Em 1927, Brod publicou América, também pela Kurt Wolff. Os três romances estavam fora da gaveta. Entre 1935 e 1937, ele organizou as obras reunidas de Kafka para a editora Schocken, em Berlim e depois em Praga.
Nessa edição, O Castelo ganhou capítulos e trechos que Brod deixara de fora em 1926. O livro ficou mais longo e mais perto do manuscrito, mas a ordem ainda era a dele.
A mala de 1939
Em 15 de março de 1939, as tropas alemãs entraram em Praga. Na noite anterior, Brod pegou o último trem para a fronteira polonesa com a mulher e uma mala cheia de papéis de Kafka.
Ele seguiu para a Palestina sob mandato britânico e se instalou em Tel Aviv. Os manuscritos de O Processo e de O Castelo foram com ele. Em Tel Aviv, Brod seguiu editando, escrevendo sobre o amigo e respondendo a pesquisadores que queriam ver os cadernos originais, guardados em casa e depois num cofre de banco.
"Querido Max, meu último pedido: tudo o que deixo em diários, manuscritos, cartas e desenhos deve ser queimado por completo e sem ler." (Franz Kafka, bilhete a Max Brod, publicado no posfácio de O Processo, 1925)
O caminho até a Inglaterra
Em 1956, com a crise de Suez, Brod mandou boa parte dos manuscritos para um cofre em Zurique, por segurança. Em 1961, o pesquisador Malcolm Pasley, de Oxford, levou de carro os papéis de O Castelo de Zurique para a Bodleian Library.
As sobrinhas de Kafka, herdeiras dos direitos, viviam na Inglaterra. As herdeiras depositaram ali os manuscritos que lhes cabiam. O de O Processo ficou com Brod e seguiu outro caminho.
A edição crítica
Em 1982, a editora S. Fischer publicou a edição crítica de O Castelo, preparada por Pasley a partir do manuscrito de Oxford. O texto voltou à forma dos cadernos, com a ordem de Kafka e a frase final interrompida.
O leitor passou a ver o romance como ele ficou na mesa em setembro de 1922. A diferença para a edição de 1926 chega a dezenas de páginas, entre trechos restaurados e cortes desfeitos.
O resto do espólio de Brod, guardado em Tel Aviv, entrou numa disputa judicial longa. Em 2016, a Suprema Corte de Israel decidiu que os papéis deviam ir para a Biblioteca Nacional do país, em Jerusalém.
|