In partnership with

Jornal de Cem Anos   Jornal de Cem Anos
ED 076
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Em 1927, a falha de Gomura rasga os arrozais de Tango

Um tremor de segundos no norte de Quioto deixa um degrau nos arrozais, e dois geógrafos de Tóquio vão medi-lo a trena.

Trena antiga sobre um dique de arrozal partido em dois.

Dique de arrozal partido, Tango, 1927

▼
 

Às 18h27 de 7 de março de 1927, o chão do norte de Quioto tremeu por poucos segundos. Em 1928, os geógrafos Yamasaki Naomasa e Tada Fumio, da Universidade Imperial de Tóquio, publicaram no Boletim do Instituto de Pesquisa de Terremotos a medida do estrago permanente: quase 3 metros de arrozal empurrados para o lado.

A península de Tango avança sobre o mar do Japão, a noroeste da cidade de Quioto. Em 1927, vivia da pesca, do arroz e do chirimen (o crepe de seda tecido nos teares de casa), vendido para os quimonos de Quioto e de Osaka.

A hora pesou. Era começo de noite numa segunda-feira, e as cozinhas de Mineyama, Amino e Ichiba estavam com o fogo aceso para o jantar. As casas de madeira caíram sobre os fogareiros e as brasas.

O incêndio andou de telhado em telhado pelas ruas estreitas. Em Mineyama, centro do comércio de seda da península, o tremor e as chamas deixaram de pé poucas construções, e a cidade dormiu ao relento naquela noite fria de março.

A edição de 2026 da Cronologia Científica (Rika Nenpyo), publicada pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão, registra 2.925 mortos no terremoto de Kita-Tango, expressão que quer dizer Tango do Norte. Os feridos e desabrigados passaram de milhares nas aldeias da costa.

Nas aldeias de pescadores da costa, o mar recuou e voltou em ondas pequenas, sem o estrago das cidades. Os barcos ficaram na areia, e os pescadores subiram o morro para ajudar a apagar o fogo nas ruas de Amino.

O Japão já tinha aprendido a contar estragos. O grande terremoto de Kanto, em setembro de 1923, tinha destruído Tóquio e Yokohama, e a Universidade Imperial abriu em 1925 um instituto dedicado só aos terremotos.

Os pesquisadores desse instituto pegaram o trem para o oeste com trenas, níveis e cadernos de campo. O que acharam na terra rachada, entre um arrozal e outro, ocupa a primeira página de hoje.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Quantitative Thinkers Are Building Ideas Worldwide on WorldQuant BRAIN

WorldQuant BRAIN is a global simulation and research platform for students, aspiring researchers and quantitative thinkers from around the world.

On BRAIN, that spirit of exploration continues through challenges, collaboration and opportunities to develop new quantitative research ideas.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Primeira Página de Hoje

O degrau nos arrozais de Gomura

A resposta de ontem

Quem presidiu o primeiro conselho da BBC, em 1927?

O presidente foi George Villiers, sexto conde de Clarendon, político conservador nomeado pela Coroa. Comandou o conselho de 1927 a 1930 e deixou a BBC para ser governador-geral da África do Sul, cargo que ocupou de 1931 a 1937, segundo o histórico de governadores publicado pela própria BBC.

A falha de Gomura corta a península de Tango de noroeste para sudeste, da costa de Amino até o vale de Gomura, aldeia que lhe emprestou o batismo. Antes de 1927, quase ninguém na região sabia que ela existia.

Uma falha (a fratura na rocha onde dois blocos da crosta deslizam um contra o outro) costuma ficar escondida sob o solo, coberta por terra, mato e plantação. Em Tango, o tremor trouxe a fratura à luz do dia.

O movimento foi de lado. Os dois blocos correram na horizontal, em sentidos opostos, e tudo o que cruzava a linha saiu partido: diques de arrozal, trilhas, cercas e valas de irrigação.

Yamasaki Naomasa, geógrafo da Universidade Imperial de Tóquio, chegou à península com Tada Fumio nas semanas seguintes. Yamasaki já estudava a forma do relevo japonês havia décadas e sabia ler uma paisagem cortada.

O método cabia num caderno. Os dois procuravam qualquer linha reta feita pelo homem antes do tremor e mediam quanto ela tinha andado depois:

1. Achar um dique, uma cerca ou um caminho que cruzasse a falha em linha reta.

2. Marcar as duas pontas partidas, uma de cada lado da fratura.

3. Medir com trena a distância lateral entre elas e, com nível, a diferença de altura.

Os diques retos dos arrozais serviram de marco perfeito. Onde antes corria uma linha contínua de terra, havia dois pedaços desencontrados, e a distância entre eles media o salto da falha.

O maior deslocamento horizontal que os dois registraram, no relatório de 1928 do Boletim do Instituto de Pesquisa de Terremotos, ficou perto de 3 metros. Um dos lados também subiu, e o arrozal ganhou um degrau.

Um tremor de segundos deixou uma cicatriz que se mede com trena.

Uma segunda fratura apareceu quase em ângulo reto com a primeira, ao sul: a falha de Yamada, ao longo do vale do mesmo batismo. Ela deslizou no sentido contrário ao de Gomura.

Os sismólogos chamam esse arranjo de par conjugado (duas falhas que se cruzam e se movem em sentidos opostos, sob o mesmo aperto da crosta). Tango virou exemplo clássico do par nos livros de geologia japoneses.

O Japão já tinha visto falha na superfície antes. No terremoto de Mino-Owari, em 1891, a falha de Neodani ergueu um paredão de terra no centro do país, fotografado na época.

A novidade de 1927 estava no registro. Fotografia, mapa e medida saíram de uma equipe treinada para o serviço, poucas semanas depois do tremor, e foram publicados num boletim científico com páginas de figuras.

Para os camponeses, o degrau era outro problema. A água de irrigação não sobe degrau, e o arrozal precisava voltar a ficar plano antes do plantio de maio.

 
 

II  O Que Aconteceu Depois

Mineyama refaz os teares

A reconstrução começou pelas cidades. Mineyama, Amino e Ichiba tinham perdido casas, armazéns e teares, e a província de Quioto mandou soldados, médicos e arroz pelas estradas de montanha.

O chirimen era o sustento de milhares de famílias da península. Sem tear, não havia seda para vender aos atacadistas de Quioto, e sem venda não havia dinheiro para reerguer a casa.

Uma semana depois, o país inteiro entrou em crise. Em 14 de março de 1927, o ministro da Fazenda, Kataoka Naoharu, anunciou no Parlamento a quebra de um banco de Tóquio que ainda estava aberto, e a corrida aos bancos se espalhou pelo Japão.

A crise financeira de Showa (a era do imperador Hirohito, iniciada em dezembro de 1926) fechou dezenas de bancos naquela primavera. A península que pedia crédito para refazer os teares encontrou os cofres trancados.

Mesmo assim, os teares voltaram. Os tecelões de Tango retomaram o chirimen nas casas reconstruídas, e a seda da península seguiu como marca da região durante o século inteiro.

O tremor de Tango também não veio sozinho. Dois anos antes, em maio de 1925, o terremoto de Kita-Tajima tinha arrasado Toyooka e Kinosaki, na província vizinha de Hyogo, logo a oeste.

Em setembro de 1943, outro grande tremor atingiu Tottori, mais a oeste na mesma costa. A sequência fez dos sismólogos japoneses estudiosos de uma faixa inteira do mar do Japão.

O físico Terada Torahiko, professor do instituto de Tóquio, escreveu sobre essa sequência de desastres num ensaio que ficou famoso no país:

“Quanto mais a civilização avança, mais violentos ficam os desastres causados pela fúria da natureza.” (Terada Torahiko, Desastres naturais e defesa nacional, 1934)

A falha não mudou de lugar; a cidade em cima dela, sim.

A lição de Gomura atravessou o século. Em janeiro de 1995, o terremoto de Kobe abriu a falha de Nojima, na ilha de Awaji, e o Japão preservou o trecho rompido dentro de um museu.

Em 2004, Mineyama, Amino e outras quatro cidades da península se fundiram e formaram a cidade de Kyotango. Os turistas que chegam lá hoje podem ver um trecho do degrau de 1927 ainda protegido entre os arrozais.

 

Quem banca a edição de hoje

Fall’s best destinations are waiting

Mountain air, city lights or somewhere new? There's still time to make your fall plans take flight with Alaska Airlines. With hundreds of destinations, you can celebrate autumn to the fullest. See the fall foliage in Boston, sip cider in Seattle, or swap your flannel for a swimsuit and head to Hawai‘i. 

With nonstop routes to over 100 cities across North America and beyond, getting to your fall destination is easier than ever. Whether you're chasing changing leaves or year-round sunshine, Alaska’s growing network means more ways to reach where autumn is calling. 

Fares at great prices, so it's easier than ever to say ‘yes’ to a getaway before the season's gone.

Subject to availability. Terms and conditions apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Anúncio da Página 3

Socorro, seda e listas de doadores

A página: a notícia chegou a Osaka e Tóquio pelo telégrafo na mesma noite. Os jornais da manhã seguinte traziam o mapa da península e as primeiras contas de mortos, ainda incompletas.

A coluna: nos dias seguintes, os grandes diários abriram subscrições para os desabrigados de Tango. As colunas de doadores traziam nome, cidade e valor, de empresas e de leitores comuns.

O anúncio: avisos de abrigo, trens de socorro e pedidos de doação dividiam espaço com os anúncios de sempre, de remédio, tecido e cigarro.

A lista de doadores tinha função prática. O leitor conferia no jornal se o dinheiro tinha chegado, e o jornal ganhava a confiança de quem doava de novo na tragédia seguinte.

As fotografias vieram depois do texto. Os fotógrafos precisaram cruzar as montanhas até Mineyama, e as imagens das ruas queimadas só apareceram nas páginas dias mais tarde.

Entre elas estavam as primeiras fotos da falha. Um dique de arrozal partido em dois virou imagem conhecida, porque mostrava ao leitor da cidade a força do tremor em linguagem que qualquer agricultor entendia.

Os relatórios científicos seguiram um caminho mais lento. O boletim do instituto de Tóquio publicou o estudo de Yamasaki e Tada no ano seguinte, com mapas e tabelas de medidas, para leitores especialistas.

O terremoto entrou nos catálogos oficiais. A Agência Meteorológica do Japão mantém o tremor no catálogo histórico, com a magnitude estimada a partir dos sismógrafos da época.

A contagem de mortos também ficou nos livros. O Rika Nenpyo repete a cifra de 2.925 a cada edição anual, ao lado dos outros grandes terremotos do Japão desde a era antiga.

Quem quiser ver o estrago com os próprios olhos encontra hoje as páginas daqueles dias nos arquivos digitais dos jornais de Osaka e nas coleções da Biblioteca Nacional da Dieta, em Tóquio, onde as edições de março de 1927 estão microfilmadas.

O estudo de Yamasaki e Tada também segue acessível. O instituto de Tóquio pôs o arquivo do boletim na internet, e as figuras do dique partido abrem em qualquer navegador, com as legendas originais.

A península guardou a data de outro jeito. Os moradores de Kyotango lembram o 7 de março com cerimônias pelos mortos e treinamentos de evacuação nas escolas.

O Rika Nenpyo sai em nova edição todo ano, em novembro. Reconfira os 2.925 mortos de Kita-Tango na edição de 2027, na tabela de grandes terremotos do Japão, e a magnitude no catálogo histórico da Agência Meteorológica em jma.go.jp.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Em que ano o governo japonês declarou a falha de Gomura monumento natural?

★ RARO

🔒

EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

Abrir o selado →
 
 
Quiz da edição

No relatório de 1928 sobre a falha de Gomura, qual foi o maior deslocamento horizontal que Yamasaki Naomasa e Tada Fumio mediram nos diques dos arrozais?

AQuase 1 metro
BQuase 3 metros
CQuase 5 metros
DQuase 10 metros

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🕰️🕰️🕰️🕰️🕰️  ótima 🕰️🕰️🕰️🕰️  boa 🕰️🕰️🕰️  ok 🕰️🕰️  ruim 🕰️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 22/10, 15h30

A Cinema Laurier Palace →
B Boléro de Ravel →
C Abd el-Krim →
D Eleição na Libéria →
 
Recomendação de Newsletter
Mistérios Milenares

Mistérios Milenares

Toda noite, 20:20 na sua caixa: o enigma, as evidências e a pergunta que ninguém respondeu. Com o rigor que você sempre quis e nunca achou em português.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã tem outra primeira página.

Jornal de Cem Anos

JORNAL DE CEM ANOS

A primeira página de hoje, de cem anos atrás

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter