A resposta de ontem Quem presidiu o primeiro conselho da BBC, em 1927? O presidente foi George Villiers, sexto conde de Clarendon, político conservador nomeado pela Coroa. Comandou o conselho de 1927 a 1930 e deixou a BBC para ser governador-geral da África do Sul, cargo que ocupou de 1931 a 1937, segundo o histórico de governadores publicado pela própria BBC. |
A falha de Gomura corta a península de Tango de noroeste para sudeste, da costa de Amino até o vale de Gomura, aldeia que lhe emprestou o batismo. Antes de 1927, quase ninguém na região sabia que ela existia.
Uma falha (a fratura na rocha onde dois blocos da crosta deslizam um contra o outro) costuma ficar escondida sob o solo, coberta por terra, mato e plantação. Em Tango, o tremor trouxe a fratura à luz do dia.
O movimento foi de lado. Os dois blocos correram na horizontal, em sentidos opostos, e tudo o que cruzava a linha saiu partido: diques de arrozal, trilhas, cercas e valas de irrigação.
Yamasaki Naomasa, geógrafo da Universidade Imperial de Tóquio, chegou à península com Tada Fumio nas semanas seguintes. Yamasaki já estudava a forma do relevo japonês havia décadas e sabia ler uma paisagem cortada.
O método cabia num caderno. Os dois procuravam qualquer linha reta feita pelo homem antes do tremor e mediam quanto ela tinha andado depois:
1. Achar um dique, uma cerca ou um caminho que cruzasse a falha em linha reta.
2. Marcar as duas pontas partidas, uma de cada lado da fratura.
3. Medir com trena a distância lateral entre elas e, com nível, a diferença de altura.
Os diques retos dos arrozais serviram de marco perfeito. Onde antes corria uma linha contínua de terra, havia dois pedaços desencontrados, e a distância entre eles media o salto da falha.
O maior deslocamento horizontal que os dois registraram, no relatório de 1928 do Boletim do Instituto de Pesquisa de Terremotos, ficou perto de 3 metros. Um dos lados também subiu, e o arrozal ganhou um degrau.
Um tremor de segundos deixou uma cicatriz que se mede com trena. |
Uma segunda fratura apareceu quase em ângulo reto com a primeira, ao sul: a falha de Yamada, ao longo do vale do mesmo batismo. Ela deslizou no sentido contrário ao de Gomura.
Os sismólogos chamam esse arranjo de par conjugado (duas falhas que se cruzam e se movem em sentidos opostos, sob o mesmo aperto da crosta). Tango virou exemplo clássico do par nos livros de geologia japoneses.
O Japão já tinha visto falha na superfície antes. No terremoto de Mino-Owari, em 1891, a falha de Neodani ergueu um paredão de terra no centro do país, fotografado na época.
A novidade de 1927 estava no registro. Fotografia, mapa e medida saíram de uma equipe treinada para o serviço, poucas semanas depois do tremor, e foram publicados num boletim científico com páginas de figuras.
Para os camponeses, o degrau era outro problema. A água de irrigação não sobe degrau, e o arrozal precisava voltar a ficar plano antes do plantio de maio.
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