|
Capablanca pediu a revanche logo depois da derrota. Ele mesmo tinha escrito as Regras de Londres, e agora elas pesavam contra ele: a bolsa de 10 mil dólares passava a ser obrigação dele.
Alekhine não recusou de frente. Aceitou em princípio, mas impôs condições, exigiu o dinheiro em ouro e adiou as conversas, ano após ano, enquanto o cubano buscava patrocínio.
Em vez de Capablanca, o campeão jogou contra Efim Bogoljubov, em 1929, entre a Alemanha e a Holanda, e venceu com folga. Repetiu o duelo contra o mesmo rival em 1934, e voltou a ganhar.
Alekhine defendeu o título duas vezes, e nas duas escolheu o adversário. |
Os dois deixaram de se falar. Em torneios onde ambos jogavam, cruzavam o salão sem cumprimento, e jornalistas da época registraram jantares em que um se recusava a sentar à mesa com o outro.
Capablanca seguiu vencendo torneios. Ganhou Moscou 1936 e terminou à frente de Alekhine em Nottingham, no mesmo ano, mas nada daquilo valia o título.
Em 1935, Alekhine perdeu a coroa para o holandês Max Euwe, professor de matemática, e a recuperou em 1937, na revanche contra o mesmo Euwe. Capablanca continuava esperando a sua vez.
A vez não veio. Em 8 de março de 1942, Capablanca sofreu um derrame no Manhattan Chess Club, em Nova York, enquanto acompanhava uma partida de amigos, e morreu no dia seguinte, aos 53 anos.
Alekhine morreu em 24 de março de 1946, num quarto de hotel em Estoril, Portugal, ainda campeão. Foi o único na história a deixar o título sem perdê-lo no tabuleiro.
Naquela época, ele negociava um match com o soviético Mikhail Botvinnik. A morte interrompeu a conversa, e a Federação Internacional de Xadrez organizou em 1948 um torneio para escolher o novo campeão, vencido por Botvinnik.
O desfecho do duelo entre os dois, portanto, ficou em aberto para sempre. Não há como saber quem venceria a revanche, porque ela jamais foi jogada, e cada biógrafo dá a culpa a um dos lados.
Os defensores de Alekhine lembram as exigências de Capablanca em 1921, quando ele próprio impôs a bolsa a quem quisesse desafiá-lo. Os de Capablanca lembram as cartas sem resposta e os prazos empurrados pelo campeão.
|