In partnership with

Jornal de Cem Anos   Jornal de Cem Anos
ED 072
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Em 1927, Einstein e Bohr brigam pelo acaso em Bruxelas

O quinto Congresso de Solvay reúne 29 físicos, 17 deles Nobel, e termina sem acordo sobre o papel do acaso na natureza.

Dois dados de marfim ao lado de uma xícara de café.

Dados e café, Bruxelas, 1927

▼
 

A fotografia tem três fileiras e vinte e nove pessoas. Foi tirada no Parque Leopold, em Bruxelas, no fim de outubro de 1927, pelo fotógrafo Benjamin Couprie, diante do prédio do Instituto de Fisiologia.

Na primeira fila, sentado no meio, está Albert Einstein, de terno escuro e olhar firme para a lente. Duas cadeiras à esquerda dele está Marie Curie, a única mulher do grupo e a única pessoa ali com dois prêmios Nobel.

Entre os dois está Hendrik Lorentz, o holandês de 74 anos que presidia a reunião. Na fila do meio aparecem Niels Bohr, Max Born, Louis de Broglie, Arthur Compton e Paul Dirac.

Na fileira de trás, de pé, ficaram os mais jovens. Werner Heisenberg tinha 25 anos. Wolfgang Pauli, 27. Erwin Schrödinger, de gravata-borboleta, já passava dos 40.

Dezessete dos vinte e nove já tinham ou ainda iriam ganhar o Nobel. Nenhuma outra foto de encontro científico reúne tanta gente premiada num único enquadramento, e a imagem virou pôster de departamento de física no mundo inteiro.

O retrato engana num ponto. Parece a turma de formatura de uma ciência pronta, com todo mundo do mesmo lado. A semana que ele registra foi o contrário: uma discussão aberta sobre a natureza da realidade, que os presentes não conseguiram encerrar.

O motivo da briga cabe numa palavra: acaso. A mecânica quântica, montada às pressas entre 1925 e 1927, dizia que o elétron não tem caminho definido antes de ser medido. A teoria só entregava probabilidades.

Einstein achava a resposta incompleta. Bohr achava que ela era o máximo que a natureza permitia saber. Os dois se admiravam, se escreviam com frequência e passaram seis dias tentando derrubar um ao outro.

Quem olha a foto hoje vê a calma das cadeiras enfileiradas. Quem estava lá lembrava das mesas do hotel, das folhas rabiscadas e das conversas que entravam pela noite.

A primeira página de hoje começa pela sala de reuniões, pela agenda oficial e pelo que se dizia nos corredores do hotel.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Quantitative Thinkers Are Building Ideas Worldwide on WorldQuant BRAIN

WorldQuant BRAIN is a global simulation and research platform for students, aspiring researchers and quantitative thinkers from around the world.

On BRAIN, that spirit of exploration continues through challenges, collaboration and opportunities to develop new quantitative research ideas.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Primeira Página de Hoje

Seis dias no Instituto Solvay

A resposta de ontem

Que lei aposentou o Código de Menores de 1979?

O Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei 8.069, sancionada por Fernando Collor em 13/7/1990. O ECA trocou a doutrina da situação irregular pela proteção integral prevista no artigo 227 da Constituição de 1988, aposentou a palavra menor do texto legal e criou os conselhos tutelares em cada município.

O quinto Congresso de Solvay abriu na segunda-feira, 24/10/1927, em Bruxelas. O tema oficial, em francês, era Électrons et photons, elétrons e fótons, e a reunião durou até o sábado, 29 de outubro.

Os congressos eram fechados. Não havia público nem plateia de estudantes: só os convidados, escolhidos por um comitê científico, e alguns secretários que anotavam as discussões para publicação.

Lorentz conduziu as sessões em várias línguas. Passava do francês ao alemão e ao inglês, traduzindo para cada lado o que o outro tinha acabado de dizer.

A agenda tinha cinco relatórios. William Lawrence Bragg falou sobre a reflexão de raios X. Arthur Compton tratou das discordâncias entre os experimentos com radiação e a teoria eletromagnética clássica.

Louis de Broglie apresentou a sua ideia de uma onda que guia a partícula. Max Born e Werner Heisenberg levaram juntos a mecânica quântica. Erwin Schrödinger falou da mecânica ondulatória.

Born e Heisenberg terminaram o relatório com uma frase que soou como provocação. No texto de Born e Heisenberg, La mécanique des quanta, publicado nos anais do congresso em 1928, ela aparece assim:

“Consideramos a mecânica quântica uma teoria fechada, cujas hipóteses fundamentais, físicas e matemáticas, não são mais suscetíveis de qualquer modificação.”

Einstein quase não falou nas sessões. Fez uma única intervenção na discussão geral, com um experimento imaginário de um elétron passando por uma fenda, e voltou a se calar.

A conversa decisiva aconteceu fora da sala. Hospedados no Hotel Metropole, os físicos tomavam café juntos, e Einstein chegava à mesa com um novo experimento imaginário para mostrar que a teoria tinha furo.

Einstein trazia o desafio no café da manhã, e Bohr devolvia a resposta no jantar.

Bohr passava o dia com Pauli e Heisenberg procurando o erro. À noite, explicava por que a montagem de Einstein não violava o princípio da incerteza, publicado por Heisenberg naquele mesmo ano.

Paul Ehrenfest, amigo dos dois, assistiu a tudo. Numa carta escrita depois do congresso, contou que Einstein parecia um boneco de mola que saltava todas as manhãs com uma caixa nova, e que Bohr achava sempre a ferramenta para quebrá-la.

Ehrenfest ficou do lado de Bohr. Disse a Einstein, na frente dos outros, que tinha vergonha dele, porque Einstein tratava a teoria nova com a mesma desconfiança que os velhos tinham dedicado à relatividade.

No fim da semana, ninguém tinha mudado de lado. Einstein saiu de Bruxelas convencido de que a teoria funcionava, mas não descrevia a realidade inteira.

 
 

II  O Que Aconteceu Depois

A caixa de luz e o teste de Bell

A posição de Einstein já estava escrita antes do congresso. Em dezembro de 1926, numa carta a Max Born, ele disse que a teoria rendia muito, mas não aproximava ninguém do segredo do Velho.

Na carta a Max Born de 4 de dezembro de 1926, reunida em The Born-Einstein Letters, de 1971, está a linha que ficou famosa:

“Em todo caso, estou convencido de que Ele não joga dados.”

Bohr teria respondido, numa das discussões, que Einstein deveria parar de dizer a Deus o que fazer. A frase circula em muitas versões, mas não há registro escrito do dia exato em que foi dita.

A disputa voltou três anos depois, no sexto Congresso de Solvay, em outubro de 1930, também em Bruxelas. O tema era magnetismo, mas Einstein chegou com o desafio mais engenhoso da série.

Era a caixa de luz. Uma caixa cheia de radiação, pendurada numa balança, com um relógio que abre uma janelinha por um instante e deixa escapar um único fóton.

Pesando a caixa antes e depois, dava para saber a energia que saiu, pela fórmula E = mc². O relógio dava o instante exato. Energia e tempo medidos juntos, com precisão total, violariam o princípio da incerteza.

Segundo o relato de Léon Rosenfeld, que estava presente, Bohr passou a noite abalado, indo de um físico a outro para dizer que, se Einstein estivesse certo, seria o fim da física. Na manhã seguinte, tinha a resposta.

Bohr venceu a caixa de luz usando uma ideia do próprio adversário.

Einstein aceitou a resposta e mudou de ataque. Deixou de dizer que a teoria era contraditória e passou a dizer que ela era incompleta.

Em maio de 1935, com Boris Podolsky e Nathan Rosen, publicou na Physical Review o artigo conhecido pelas iniciais dos três, EPR. O texto mostrava que duas partículas ligadas pareciam combinar resultados à distância, o que Einstein chamaria depois de ação fantasmagórica.

Bohr respondeu na mesma revista, meses depois, com um artigo de título idêntico. A discussão parou aí enquanto os dois viveram: Einstein saiu de cena em 1955, Bohr em 1962, sem acordo.

Em 1964, o físico norte-irlandês John Bell transformou a briga em conta. Escreveu uma desigualdade que os resultados obedeceriam se Einstein tivesse razão, e que a mecânica quântica previa violar.

John Clauser fez o teste em 1972, Alain Aspect em 1982, Anton Zeilinger nos anos 1990. A natureza violou a desigualdade em todos eles, e os três dividiram o Nobel de Física de 2022.

 

Quem banca a edição de hoje

Yes, that Arnold Schwarzenegger.

He has a newsletter on beehiiv. So do Codie Sanchez, Jay Shetty, David Begnaud, Colin & Samir, and Joanna Stern.

They could publish just about anywhere. They chose beehiiv to build a direct connection with the people who want to hear from them most. And you can do the same, whether you’re world-famous or just at the start of your plan for world domination.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Anúncio da Página 3

A barrilha de Ernest Solvay

A página: o congresso de 1927 levava o nome de um homem que não estava na foto. Ernest Solvay, químico belga sem diploma universitário, tinha saído de cena em maio de 1922, aos 84 anos.

A coluna: a fortuna dele vinha de um pó branco, o carbonato de sódio, que o comércio chamava de barrilha. Era matéria-prima do vidro, do sabão, do papel e dos tecidos.

O anúncio: em 1861, aos 23 anos, Solvay registrou a patente de um processo que fazia barrilha a partir de sal, calcário e amônia. Em 1863, com o irmão Alfred, fundou a Solvay & Cie, em Couillet, perto de Charleroi.

O método antigo, o processo Leblanc, soltava ácido clorídrico no ar e deixava montanhas de resíduo. O de Solvay reaproveitava a amônia no ciclo e saía mais barato. Em poucas décadas, dominou a produção mundial.

Rico, Solvay se convenceu de que tinha descoberto uma teoria geral da matéria e da gravitação. Queria apresentá-la aos maiores físicos da Europa.

O químico alemão Walther Nernst viu a oportunidade. Sugeriu a Solvay pagar uma reunião fechada sobre o maior problema da física de então, a radiação e os quanta. A primeira aconteceu entre outubro e novembro de 1911, no Hotel Metropole.

Solvay abriu o congresso de 1911 com um discurso sobre a própria teoria. Os convidados ouviram com educação, e a pauta seguiu para Planck, Einstein e os quanta.

A teoria de Solvay caiu no esquecimento, e o dinheiro dele pagou a reunião que mudou a física.

Em 1912, ele criou o Instituto Internacional de Física Solvay, com Lorentz à frente do comitê científico. O instituto existe até hoje e ainda organiza os congressos em Bruxelas.

A empresa também atravessou o século. A Solvay segue como grupo químico belga, com fábricas em vários países, e a barrilha continua no catálogo.

Quem olha a foto de 1927 vê Einstein no centro e esquece a caixa de luz que viria três anos depois. Bohr desmontou o aparelho numa noite, com papel, lápis e um argumento que Einstein não conseguiu contestar.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Que teoria do próprio Einstein Bohr usou para desmontar a caixa de luz de 1930?

★ RARO

🔒

EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

Abrir o selado →
 
 
Quiz da edição

No quinto Congresso de Solvay, quem presidia as sessões e traduzia as discussões entre francês, alemão e inglês?

ANiels Bohr
BMax Born
CHendrik Lorentz
DPaul Ehrenfest

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🕰️🕰️🕰️🕰️🕰️  ótima 🕰️🕰️🕰️🕰️  boa 🕰️🕰️🕰️  ok 🕰️🕰️  ruim 🕰️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 18/10, 15h30

A Alekhine Vence Capablanca →
B Estádio São Januário →
C Parlamento de Canberra →
D Rádio de Bombaim →
 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã tem outra primeira página.

Jornal de Cem Anos

JORNAL DE CEM ANOS

A primeira página de hoje, de cem anos atrás

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter