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A posição de Einstein já estava escrita antes do congresso. Em dezembro de 1926, numa carta a Max Born, ele disse que a teoria rendia muito, mas não aproximava ninguém do segredo do Velho.
Na carta a Max Born de 4 de dezembro de 1926, reunida em The Born-Einstein Letters, de 1971, está a linha que ficou famosa:
“Em todo caso, estou convencido de que Ele não joga dados.”
Bohr teria respondido, numa das discussões, que Einstein deveria parar de dizer a Deus o que fazer. A frase circula em muitas versões, mas não há registro escrito do dia exato em que foi dita.
A disputa voltou três anos depois, no sexto Congresso de Solvay, em outubro de 1930, também em Bruxelas. O tema era magnetismo, mas Einstein chegou com o desafio mais engenhoso da série.
Era a caixa de luz. Uma caixa cheia de radiação, pendurada numa balança, com um relógio que abre uma janelinha por um instante e deixa escapar um único fóton.
Pesando a caixa antes e depois, dava para saber a energia que saiu, pela fórmula E = mc². O relógio dava o instante exato. Energia e tempo medidos juntos, com precisão total, violariam o princípio da incerteza.
Segundo o relato de Léon Rosenfeld, que estava presente, Bohr passou a noite abalado, indo de um físico a outro para dizer que, se Einstein estivesse certo, seria o fim da física. Na manhã seguinte, tinha a resposta.
Bohr venceu a caixa de luz usando uma ideia do próprio adversário. |
Einstein aceitou a resposta e mudou de ataque. Deixou de dizer que a teoria era contraditória e passou a dizer que ela era incompleta.
Em maio de 1935, com Boris Podolsky e Nathan Rosen, publicou na Physical Review o artigo conhecido pelas iniciais dos três, EPR. O texto mostrava que duas partículas ligadas pareciam combinar resultados à distância, o que Einstein chamaria depois de ação fantasmagórica.
Bohr respondeu na mesma revista, meses depois, com um artigo de título idêntico. A discussão parou aí enquanto os dois viveram: Einstein saiu de cena em 1955, Bohr em 1962, sem acordo.
Em 1964, o físico norte-irlandês John Bell transformou a briga em conta. Escreveu uma desigualdade que os resultados obedeceriam se Einstein tivesse razão, e que a mecânica quântica previa violar.
John Clauser fez o teste em 1972, Alain Aspect em 1982, Anton Zeilinger nos anos 1990. A natureza violou a desigualdade em todos eles, e os três dividiram o Nobel de Física de 2022.
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