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A contagem que a polícia de Viena divulgou em 1927 fechou em 89 mortos: 84 manifestantes e passantes, e 5 policiais. Os feridos encheram os hospitais da cidade durante a semana inteira.
Os social-democratas responderam no dia 16 com uma greve geral e uma greve dos transportes. Em Viena, a cidade parou. Nas províncias, as Heimwehren (as milícias regionais de direita, armadas e ligadas aos camponeses) furaram a greve.
No Tirol e na Estíria, os homens da Heimwehr ocuparam estações, puseram trens para rodar e ameaçaram os grevistas. A direção social-democrata recuou, e a greve acabou sem nenhuma exigência atendida.
No Parlamento, Seipel defendeu a polícia e recusou qualquer anistia aos presos do dia 15. A imprensa operária passou a chamá-lo de Prälat ohne Milde, o prelado sem clemência.
Schober também ficou no cargo. O satirista Karl Kraus, editor da revista Die Fackel (A Tocha), pagou do próprio bolso cartazes colados pelos muros de Viena em setembro com uma linha só:
“Exijo do senhor a renúncia.” (Karl Kraus, cartaz dirigido a Johannes Schober, 1927)
Kraus voltou ao caso em vários números da Die Fackel nos meses seguintes, cobrando de Schober, página após página, a responsabilidade pela ordem de atirar contra gente desarmada.
Schober não renunciou. Em 1929, virou chanceler da Áustria. Kraus seguiu atacando o policial por anos nas páginas da revista e numa peça satírica sobre o caso.
O tiro de 15 de julho rachou a república em dois campos armados. |
Os historiadores austríacos tratam o dia como o começo da agonia da Primeira República. As Heimwehren cresceram nos anos seguintes, e o Schutzbund se armou à espera do confronto.
O confronto chegou em fevereiro de 1934. O chanceler Engelbert Dollfuss, que tinha fechado o Parlamento no ano anterior, mandou o Exército contra o Schutzbund, e os combates em Viena e Linz duraram quatro dias.
E os três de Schattendorf? A absolvição de 1927 foi definitiva, e eles não voltaram a responder pelos tiros. A historiografia sobre o caso não documenta o resto da vida deles: os estudos se concentram no julgamento, e os arquivos locais pouco guardaram dos réus.
Canetti levou o dia consigo. Em 1960, publicou Massa e Poder, ensaio sobre o comportamento das multidões, e apontou o 15 de julho como uma das raízes do livro.
O palácio foi reconstruído nos anos seguintes, com a mesma fachada. Hoje abriga o Oberster Gerichtshof, o Supremo Tribunal da Áustria, e recebe visitantes no salão central restaurado.
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