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O processo não ficou restrito a Chakhti. Em abril de 1928, antes de o julgamento começar, Stálin já tinha tratado o caso numa reunião do Comitê Central como sinal de que a burguesia derrotada lutava por dentro da economia.
A palavra que se espalhou foi vreditelstvo, que o russo usa para sabotagem e dano deliberado. Ela passou a nomear qualquer falha industrial que alguém quisesse explicar sem olhar a máquina.
O medo nas fábricas
Os engenheiros formados antes de 1917 entenderam o recado. Uma decisão técnica errada, um forno parado ou uma meta perdida podiam virar acusação política.
Muitos passaram a evitar assinatura em projeto arriscado. Outros aceitavam metas impossíveis em silêncio, para não parecer que freavam a produção.
Ao mesmo tempo, o governo acelerou a formação de engenheiros novos, filhos de operários e camponeses, recrutados para cursos rápidos nos institutos técnicos. A ideia era trocar a geração suspeita por uma geração leal.
A conta da troca apareceu nas obras. Turmas formadas em dois ou três anos assumiram minas, altos-fornos e barragens do plano quinquenal, e os acidentes de trabalho subiram nos primeiros anos da industrialização acelerada.
A cada acidente, a explicação disponível era a mesma de Chakhti. Procurava-se primeiro o sabotador, e só depois a causa técnica.
Depois de Chakhti, todo especialista da indústria soviética trabalhava sabendo que a falha da máquina podia virar crime do homem. |
Os processos seguintes
O modelo se repetiu. Em novembro e dezembro de 1930, outro julgamento em Moscou, o do chamado Partido Industrial, levou ao banco oito engenheiros e economistas acusados de preparar uma intervenção estrangeira.
Em 1931 veio o processo dos mencheviques, com economistas do planejamento. Os dois seguiram o roteiro de Chakhti: confissão pública, plateia cheia, imprensa presente e sentença anunciada ao país.
Krilenko e Vichinski continuaram na justiça soviética. Vichinski seria a voz dos processos de Moscou de 1936 a 1938. Krilenko foi preso em 1938 e fuzilado no expurgo que ajudou a montar.
A revisão
Por décadas, o caso ficou nos livros soviéticos como prova da luta contra a sabotagem. Historiadores de fora, com acesso aos arquivos depois de 1991, passaram a tratar o processo como montagem da OGPU.
Os condenados de Chakhti foram reabilitados pela Procuradoria-Geral da Rússia em 2000, segundo os registros de reabilitação publicados no período. A maior parte deles não tinha mais família viva para receber a notícia.
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