In partnership with

Jornal de Cem Anos   Jornal de Cem Anos
ED 087
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Em 1928, os shinwari se levantam contra Amanullah Khan

Escola para meninas e uma rainha sem véu acendem a revolta no leste do Afeganistão, e o rei deixa o trono em janeiro

Véu dobrado ao lado de uma coroa de metal.

Rainha Soraya e o véu, Cabul, 1928

▼
 

Em 1919, Amanullah Khan venceu a terceira guerra anglo-afegã em pouco mais de três meses e arrancou dos britânicos o controle da política externa do Afeganistão. Em 14 de janeiro de 1929, o mesmo rei assinou a abdicação em Cabul sem que nenhum exército estrangeiro tivesse cruzado a fronteira (as duas datas estão em Leon Poullada, Reform and Rebellion in Afghanistan, 1973).

O Afeganistão de 1928 tinha perto de 10 milhões de habitantes, segundo as estimativas da época, e quase todos viviam no campo. Não havia ferrovia. Cabul tinha luz elétrica em poucas ruas, e as estradas para o leste eram trilhas de montanha entre a capital e o passo Khyber.

O país era uma colcha de tribos. Pashtuns no sul e no leste, tadjiques no norte e em volta de Cabul, hazaras no centro. Cada tribo tinha seus chefes, e os mulás das aldeias falavam mais alto que qualquer decreto vindo da capital.

Amanullah subira ao trono em fevereiro de 1919, com 26 anos. Admirava a Turquia de Mustafa Kemal e o Irã de Reza Khan, dois governos que tentavam fazer de um país antigo um Estado moderno à força de lei.

Em dezembro de 1927, o rei partiu numa viagem de sete meses. Passou pela Índia, pelo Egito, pela Itália, pela França, pela Alemanha e pela Inglaterra, onde visitou fábricas, quartéis e escolas. Voltou em julho de 1928, pelo Irã, com uma lista de reformas e pouca paciência para esperar.

A rainha Soraya Tarzi viajou ao lado dele. Filha do jornalista Mahmud Tarzi, ela fora criada em Damasco e falava em público, hábito raro para uma rainha afegã. Nas fotos da viagem, aparecia de chapéu e rosto descoberto.

As fotos chegaram ao Afeganistão antes dos decretos. Nas aldeias do leste, circulavam como prova de que o rei voltara mudado pela Europa.

A primeira página conta o que Amanullah anunciou depois da viagem e quem respondeu primeiro, com armas, nas montanhas perto de Jalalabad.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Two days of free email tactics, starting Nov 12

GURU kicks off Nov 12. Join the 29,000+ marketers who showed up last year, 100% free and virtual.

GURU Conference, powered by Constant Contact, is back November 12–13. It's 100% virtual and 100% free, and it's packed with tactics you can use right away on newsletters, deliverability, design trends, AI, and what NOT to do with email.

What to expect:

  • Speakers including Molly Ringwald, Dan Levy, Amy Porterfield, Frank Vella + more

  • Sessions from world-class marketers at top brands

  • Networking every day

  • DJs, world-record breaking, and an alarming amount of rom-com fun!

Last year, 29,000+ marketers joined us. This year is even bigger, and spots are limited.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Primeira Página de Hoje

A assembleia de Paghman e o rifle shinwari

Em agosto de 1928, Amanullah reuniu uma loya jirga, o grande conselho de chefes tribais e religiosos, em Paghman, cidade de verão perto de Cabul. Mandou que os mais de mil delegados viessem de terno, chapéu de feltro e barba aparada.

Diante deles, leu o programa trazido da viagem. Propôs um parlamento eleito, o fim do casamento infantil, idade mínima para o casamento das moças e restrições à poligamia entre os funcionários do governo.

Propôs também escola obrigatória para meninos e meninas. Um grupo de moças afegãs seria mandado para estudar na Turquia, e o domingo passaria a ser o dia de descanso no lugar da sexta-feira.

O gesto de outubro

Em outubro, numa reunião pública em Cabul, o rei declarou que o véu não era obrigação do Islã. Soraya, ao lado dele, tirou o véu diante da plateia. Algumas esposas de funcionários fizeram o mesmo.

Senzil Nawid, no livro Religious Response to Social Change in Afghanistan, 1919-29, de 1999, trata a cena como o ponto em que os mulás passaram da queixa à pregação aberta contra o rei.

A revolta não começou por um imposto ou uma fronteira. Começou por uma escola de meninas e um rosto descoberto.

A resposta do leste

Em novembro de 1928, os shinwari, tribo pashtun das montanhas entre Jalalabad e o passo Khyber, pegaram em armas. Atacaram postos do governo, cortaram a estrada para a Índia e queimaram o palácio real de Jalalabad.

Os chefes shinwari mandaram a Cabul uma lista de exigências. Pediam a volta das meninas que estavam na Turquia, o fim das escolas mistas, a volta do véu e a retirada dos impostos novos.

A lista pedia ainda o fim do serviço militar por sorteio e a volta dos tribunais religiosos. Mais que um protesto de aldeia, era um programa inteiro contra o programa do rei.

O cerco à capital

O exército do rei estava mal pago e desfalcado. Muitos soldados eram do leste e não queriam atirar nos parentes. As tropas enviadas a Jalalabad avançaram devagar.

Enquanto os shinwari prendiam o exército no leste, um chefe tadjique do norte, Habibullah Kalakani, chamado de Bacha-i Saqao, o filho do aguadeiro, marchou sobre Cabul em dezembro com algumas centenas de homens.

Em janeiro de 1929, Amanullah recuou nas reformas. Fechou as escolas de meninas e prometeu a volta do véu. Não bastou. Em 14 de janeiro, abdicou em favor do irmão mais velho, Inayatullah, e partiu de carro para Kandahar.

 
 

II  O Que Aconteceu Depois

Três dias de Inayatullah e nove meses de Kalakani

Inayatullah Khan ficou três dias no trono. Kalakani tomou a cidade, e o novo rei aceitou deixar o país num avião da Força Aérea britânica, mandado de Peshawar.

Em 17 de janeiro de 1929, Kalakani se proclamou emir com o nome de Habibullah II. Foi o primeiro tadjique a governar Cabul em mais de dois séculos de reis pashtuns.

Os nove meses de governo dele foram de saque e de caixa vazio. Os funcionários ficaram sem salário, as embaixadas estrangeiras retiraram o pessoal, e os mercadores de Cabul fecharam as lojas.

O novo emir revogou as reformas. Fechou as escolas que restavam, devolveu aos mulás os tribunais e mandou de volta à religião a palavra final nos assuntos de família.

A tentativa de Kandahar

Em Kandahar, Amanullah retirou a abdicação e tentou reunir as tribos do sul para retomar a capital. Marchou para o norte na primavera de 1929.

As tribos ghilzai, que ficavam no caminho, não se juntaram a ele. Em maio, sem dinheiro e sem tropa suficiente, desistiu da campanha e cruzou a fronteira para a Índia britânica.

O rei que trouxe o programa da Europa terminou na Europa: viveu em Roma mais de trinta anos e não voltou a governar.

O exílio em Roma

De Bombaim, a família seguiu de navio para a Itália. Amanullah se instalou em Roma, onde o rei Vítor Emanuel III lhe dera condecoração na viagem de 1928.

Soraya viveu com ele em Roma. Os filhos cresceram na Itália, e a família só recebeu permissão para visitar o Afeganistão décadas depois.

Em Roma, o ex-rei vivia de uma pensão modesta e de negócios pequenos. Recebia visitantes afegãos, escrevia cartas e acompanhava de longe as notícias de Cabul.

Quem ficou com o trono

Em outubro de 1929, o general Muhammad Nadir Khan, primo distante de Amanullah e ex-ministro da Guerra, tomou Cabul com tribos da fronteira. Kalakani foi capturado e executado no mês seguinte.

Nadir subiu ao trono como Nadir Shah. Manteve algumas obras do antecessor, como estradas e escolas de meninos, mas andou devagar com tudo que tocava a vida das mulheres.

As escolas de meninas reabriram aos poucos nos anos seguintes. Em 1959, mulheres da família real apareceram sem véu numa cerimônia oficial em Cabul, trinta e um anos depois do gesto de Soraya.

 

Quem banca a edição de hoje

Create work your clients can rely on

With Lovable, you'll have a working version of your client's site ready for the first meeting. Plus:

  • Launch on your client's own domain

  • Build sites that get found on Google

  • Catch bugs and errors with project monitoring

  • Run every client site on one plan

Discount of $5 applies to first month of any paid plan. You need to sign up via this webpage in order to claim the discount. The discount applies to new and returning users without an active paid plan. Terms apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Anúncio da Página 3

Um rei de chapéu nas revistas de Paris

A página: os jornais europeus deram a viagem de 1928 como sensação. As revistas de Paris e de Londres publicaram fotos de Soraya de vestido ocidental, com os ombros à mostra, nos jantares oficiais.

A coluna: as mesmas fotos foram impressas em panfletos e levadas às aldeias do leste afegão. Nos relatos britânicos da fronteira, mulás mostravam as imagens em reuniões de aldeia como prova contra o rei.

O anúncio: a Europa vendia ao rei o que ele queria comprar. Amanullah encomendou na Alemanha carros, máquinas e equipamento para uma ferrovia curta em Cabul, além de material para fábricas.

A mesma fotografia serviu de vitrine em Paris e de acusação em Jalalabad.

A tese do agente inglês

Na época, circulou em Cabul e na imprensa soviética a tese de que os britânicos tinham financiado a revolta para derrubar um rei próximo de Moscou. O nome mais citado era o de um agente chamado Lawrence, o da Arábia.

T. E. Lawrence servia de fato na fronteira, como soldado raso da Força Aérea, num posto do Waziristão. Poullada, no livro de 1973, não encontra prova de que Londres tenha armado os shinwari, e trata a revolta como resposta interna às reformas.

O que a página não mostrava

As meninas mandadas à Turquia apareceram nos jornais só como número. Os nomes delas não chegaram à imprensa da época, e a volta delas ao país entrou na lista dos shinwari como exigência de guerra.

As mulheres de Cabul que tiraram o véu ao lado da rainha também ficaram sem nome nas páginas. O registro guardou o gesto da rainha e esqueceu as outras.

Os shinwari também chegaram aos jornais de fora sem rosto. A imprensa europeia os tratava como tribo fanática, e quase nenhum correspondente foi até Jalalabad ouvir o que os chefes pediam.

O arquivo hoje

As fotos oficiais da viagem de 1928 estão nos arquivos de imprensa europeus, e os despachos britânicos sobre a revolta estão nos papéis do India Office, guardados na British Library, em Londres.

O centenário da abdicação cai em 14 de janeiro de 2029. Reconfira os despachos do India Office sobre a revolta no catálogo da British Library nessa data.

 
 
 

Quiz da edição

Segundo o texto, por quanto tempo Habibullah Kalakani (o Bacha-i Saqao) governou Cabul como emir antes de ser capturado?

ATrês dias
BNove meses
CSete meses
DTrinta e um anos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 

Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🕰️🕰️🕰️🕰️🕰️  ótima 🕰️🕰️🕰️🕰️  boa 🕰️🕰️🕰️  ok 🕰️🕰️  ruim 🕰️  péssima
 

Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 02/11, 15h30

A L'Oiseau Blanc →
B Kevin O'Higgins →
C Monumento de Tannenberg →
D O Cantor de Jazz →
 

Recomendação de Newsletter

Queda e Triunfo

Queda e Triunfo

Às 09:09 na sua caixa: uma história real de queda brutal e volta improvável, contada do jeito que merecia ser contada.

Quero receber →

 

Sua ofensiva

🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã tem outra primeira página.

Jornal de Cem Anos

JORNAL DE CEM ANOS

A primeira página de hoje, de cem anos atrás

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter