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A dona da câmara se chamava Puabi. O selo cilíndrico trazia três figuras num banquete e duas palavras gravadas: o nome dela e o título nin, que o sumério usava para rainha ou senhora.
Os epigrafistas da expedição, os especialistas em inscrição antiga, leram primeiro o nome como Shubad. A leitura Puabi veio com o avanço do estudo do acadiano, a língua semita falada na região, em que pu-abi quer dizer "palavra do pai".
“Pu-abi nin” Inscrição do selo cilíndrico da tumba PG 800, Ur, c. 2500 a.C. (leitura atual do Museu da Pensilvânia) |
O nome semita sugere uma família ligada ao norte da Mesopotâmia. O selo não diz de quem ela era mulher ou filha, e nenhuma outra inscrição da tumba completa a informação.
O toucado
O toucado de Puabi é a peça que tornou a tumba famosa. Ele combina coroa de folhas de ouro em fileiras, anéis de ouro, contas de lápis-lazúli e cornalina e um pente de ouro de sete pontas, cada uma terminada numa flor.
Nas orelhas, ela usava brincos de ouro em forma de lua crescente, tão grandes que pousavam sobre os ombros. Nos dedos, anéis de ouro. Sobre o peito, a capa de contas descia em dezenas de fios.
O lápis-lazúli não existe na Mesopotâmia. A pedra azul vinha das montanhas do Badakhshan, no atual Afeganistão, por rotas de caravana e de barco que levavam meses.
A cornalina chegava do vale do Indo, no atual Paquistão. A tumba de uma rainha de Ur reunia, num corpo só, material de três regiões distantes.
A tumba de Puabi provou que Ur, por volta de 2500 a.C., comprava pedra azul do Afeganistão e pedra vermelha do vale do Indo para enterrar sua rainha. |
O poço dos servidores
No poço de acesso, Woolley contou soldados com armas de cobre, cavalariços junto aos bois e mulheres com toucados mais simples, de fita e folha. Todos estavam deitados em fila, sem sinal de luta.
Perto de muitos corpos havia uma taça pequena. Woolley concluiu que os servidores tinham descido ao poço por vontade própria e bebido um veneno antes de o poço ser fechado.
No mesmo poço estava uma lira de madeira com cabeça de touro, adornada de ouro e conchas. Ela está hoje no Museu Britânico, catalogada como a Lira da Rainha.
A tumba vizinha
Ao lado da câmara de Puabi, Woolley abriu a tumba PG 789, já saqueada. Ele a chamou de Tumba do Rei e supôs que os ladrões tinham cavado por ali durante a obra da tumba de Puabi, sem alcançar a câmara dela.
O dono da PG 789 nunca foi identificado. Nenhum selo ou inscrição com nome sobreviveu ao saque, e por isso ninguém sabe se o rei e a rainha eram casados.
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