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O Massacre das Bananeiras começou como uma greve. Em 12/11/1928, milhares de cortadores, carregadores e peões das plantações do Magdalena cruzaram os braços sob a direção da Unión Sindical de Trabajadores del Magdalena (União Sindical dos Trabalhadores do Magdalena).
Os grevistas entregaram uma lista de nove reivindicações. Pediam seguro coletivo obrigatório, indenização por acidente de trabalho, moradia com condições de higiene e descanso semanal remunerado.
Pediam também aumento de salário e o fim do salário pago em vales, papéis que só valiam nos comissariados (armazéns da própria empresa), onde os preços eram fixados pela companhia.
O pedido mais difícil era o último. Os trabalhadores queriam ser contratados diretamente pela United Fruit, e não por empreiteiros intermediários.
A empresa respondeu com o argumento que o sistema de empreitada lhe dava: aqueles homens não eram seus empregados. Sem vínculo formal, dizia a companhia, não havia com quem negociar.
Entre os líderes estavam Raúl Eduardo Mahecha, sindicalista que já tinha organizado petroleiros em Barrancabermeja, e Alberto Castrillón, um dos dirigentes do Partido Socialista Revolucionário na região.
Os grevistas pararam o corte de bananas e impediram o embarque da fruta nos trens que levavam a carga ao porto de Santa Marta. A safra apodrecia nos cachos.
A banana era o produto mais valioso do Magdalena. A United Fruit controlava a ferrovia, os armazéns, o porto e boa parte da terra, e a greve atingia todos esses negócios ao mesmo tempo.
Para a United Fruit, a greve não existia no papel: os grevistas trabalhavam para empreiteiros, e a empresa se recusava a sentar com eles. |
O governo de Abadía Méndez tratou o movimento como ameaça à ordem. Enviou tropas ao Magdalena e entregou o comando a Carlos Cortés Vargas, general do Exército.
Na véspera do tiroteio, 5/12/1928, o governo baixou o Decreto número 1, que declarava a região em estado de sítio. Foi esse o texto lido na praça de Ciénaga horas depois.
O próprio Cortés Vargas defendeu a ação no livro Los sucesos de las bananeras (Os acontecimentos das bananeiras), publicado em 1929. Ali sustentou que a tropa enfrentava uma insurreição e que a ordem de fogo foi dada depois dos avisos legais.
No mesmo livro, o general admitiu um número maior do que o comunicado inicial do governo: 47 mortos. A cifra oficial passou a ter duas versões, ambas assinadas por quem comandou os soldados.
Nenhuma das duas veio com nomes. Sem lista de vítimas, nenhuma família conseguiu provar oficialmente quem estava entre os mortos da praça.
A cronologia da greve:
| 12/11/1928: Greve declarada | | 5/12/1928: Estado de sítio | | 6/12/1928: Tiros em Ciénaga | | 1929: Livro de Cortés Vargas |
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