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O partido de Sukarno que pediu a Indonésia livre em 1927
Em 4/7/1927, Sukarno funda em Bandung o PNI, o partido que exigiu independência total das Índias Orientais Holandesas.
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Bandung, Java, 4 de julho de 1927
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Em 4/7/1927, o engenheiro Sukarno fundou em Bandung, na ilha de Java, um partido que exigia a independência total das Índias Orientais Holandesas. No fim de 1929, segundo o historiador M. C. Ricklefs em A History of Modern Indonesia (1981), o partido somava cerca de 10 mil membros, e em abril de 1931 os próprios dirigentes o dissolveram.
Os dois registros cabem em menos de quatro anos. Um fala de salões cheios e de um movimento que crescia mês a mês. O outro, de uma sigla apagada pelos próprios fundadores, com o líder ainda preso numa cela colonial.
Em 1927, a Indonésia não existia como país. Existia uma colônia holandesa de milhares de ilhas, governada de Batávia, a atual Jacarta, por um governador-geral nomeado em Haia.
A palavra “Indonésia” circulava entre estudantes e jornalistas, mas não aparecia em nenhum mapa oficial. Usá-la num nome de partido já era uma tomada de posição.
O partido nasceu com o nome de Perserikatan Nasional Indonesia (União Nacional Indonésia), a sigla PNI. Saiu de dentro de um clube de estudos que Sukarno dirigia desde 1926 e que reunia jovens formados em escolas holandesas.
Sukarno tinha 26 anos. Formara-se engenheiro civil na Escola Técnica Superior de Bandung em 1926 e desenhava casas para ganhar a vida, enquanto falava de política à noite.
A proposta do PNI era simples de dizer e difícil de fazer: nenhuma colaboração com o governo colonial. Nada de cadeira no conselho consultivo, nada de pedido de reforma. Só a independência, conquistada pela organização das massas.
A polícia colonial abriu ficha do partido desde a primeira reunião. Agentes anotavam os discursos, contavam as plateias e mandavam relatórios semanais para Batávia, a sede do governo.
As páginas abaixo começam numa sala de Bandung, onde um grupo de oito homens transformou um clube de leitura em partido político.
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I A Primeira Página de Hoje
A noite em que o clube virou partido
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Sukarno, nascido Koesno Sosrodihardjo em Surabaya, em 6/6/1901, chegou à fundação do PNI com um nome trocado na infância e uma reputação de orador. O pai mudou o nome dele depois de uma doença, como pedia o costume javanês.
O ponto de partida foi o Algemeene Studieclub (Clube Geral de Estudos, em holandês), criado em Bandung em 1926. Ali, recém-formados discutiam livros, economia colonial e o futuro das ilhas, sem ainda se apresentar como partido.
Em 4/7/1927, o clube deu o passo seguinte. Sukarno reuniu nomes como o médico Tjipto Mangoenkoesoemo e os advogados Sartono e Iskaq Tjokrohadisoerjo, formados em Leiden, e fundou o PNI.
Leiden era a universidade holandesa onde parte da elite colonizada estudava Direito. Os advogados que voltavam de lá conheciam as leis da metrópole e sabiam até onde um discurso podia ir sem virar crime.
O partido pedia a independência sem pedir licença a ninguém. |
A estratégia tinha nome: não cooperação. O PNI recusava assento no Volksraad (Conselho do Povo), o conselho consultivo que o governo colonial criara em 1918 e que não tinha poder de fazer leis.
Sukarno também levava uma ideia própria, o marhaenismo (a defesa do pequeno produtor pobre, que tem a ferramenta mas vive na miséria). O nome vinha de Marhaen, um camponês que ele disse ter conhecido nos arredores de Bandung.
O partido cresceu rápido nas cidades de Java. Em maio de 1928, mudou o nome para Partai Nasional Indonesia (Partido Nacional Indonésio) e manteve a mesma sigla.
Os comícios lotavam. Sukarno falava em holandês, javanês, sundanês e malaio, trocava de língua conforme a plateia e terminava gritando merdeka (liberdade, em malaio).
Em 1928, um ano depois da fundação, o PNI participou do congresso da juventude em Batávia que aprovou o Sumpah Pemuda (Juramento da Juventude), a promessa de uma pátria, um povo e uma língua chamados Indonésia.
Sukarno resumiu a linha do partido no discurso de defesa que faria anos depois diante do tribunal colonial:
“O imperialismo não é um homem, nem um grupo de homens, mas um sistema.” Sukarno, Indonesia Menggugat, 1930 |
A fundação em números:
| 4/7/1927: fundação em Bandung | | 1926: Algemeene Studieclub, o clube de origem | | Maio de 1928: novo nome, Partai Nasional Indonesia | | Fim de 1929: cerca de 10 mil membros, segundo Ricklefs |
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II O Que Aconteceu Depois
Da cela de Bandung à proclamação de 1945
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Em 29/12/1929, a polícia colonial prendeu Sukarno em Yogyakarta, junto com outros dirigentes do PNI. O governo acusou o partido de preparar uma revolta para o início de 1930.
O processo correu no Landraad (tribunal colonial de primeira instância) de Bandung, a partir de agosto de 1930. Sukarno respondeu com um discurso de defesa de horas, publicado depois como Indonesia Menggugat (A Indonésia Acusa).
O réu transformou a defesa num ataque ao sistema colonial inteiro. |
O tribunal condenou Sukarno a 4 anos de prisão em dezembro de 1930. Ele foi levado para a prisão de Sukamiskin, em Bandung, e cumpriu parte da pena: o governador-geral reduziu a sentença, e ele saiu em 31/12/1931.
Sem o líder, o partido rachou. Em abril de 1931, sob a pressão do governo e com medo de novas prisões, a direção liderada por Sartono dissolveu o PNI e fundou o Partindo (Partido Indonésia) para continuar a luta pela via legal.
Outro grupo, ligado a Mohammad Hatta e Sutan Sjahrir, recusou a dissolução e criou a Educação Nacional Indonésia, conhecida como PNI Baru (PNI Novo), voltada a formar quadros, com pouca aposta nos comícios.
Ao sair da prisão, Sukarno entrou no Partindo. A liberdade durou pouco: em 1933 foi preso de novo e mandado sem julgamento para o exílio em Ende, na ilha das Flores, e depois para Bengkulu, em Sumatra.
O exílio terminou com a invasão japonesa. Em março de 1942, o Japão ocupou as Índias Orientais Holandesas, e os japoneses tiraram Sukarno de Sumatra para usá-lo como porta-voz junto à população.
Em 17/8/1945, dois dias depois da rendição do Japão, Sukarno leu a proclamação da independência na varanda da casa dele, na rua Pegangsaan Timur, número 56, em Jacarta. Hatta assinou o texto com ele.
A Holanda não aceitou. Seguiram-se quatro anos de guerra e negociação, até a transferência formal da soberania em 27/12/1949, na conferência de Haia.
O PNI ganhou uma segunda vida. Em 1946, um novo Partido Nacional Indonésio foi fundado com o mesmo nome e reivindicou a herança de 1927, e Sukarno governou como primeiro presidente até 1967.
A cronologia depois da fundação:
| 29/12/1929: prisão de Sukarno em Yogyakarta | | Dezembro de 1930: condenação a 4 anos | | Abril de 1931: dissolução do PNI pela direção | | 1933: novo exílio, em Ende e depois Bengkulu | | 17/8/1945: proclamação da independência em Jacarta | | 27/12/1949: Holanda transfere a soberania |
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