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A primeira página daquela manhã não saiu de uma redação. Saiu de uma tipografia requisitada pelo Tesouro britânico, com o chanceler do Erário sentado à mesa de fechamento.
"THE GENERAL STRIKE IS A CHALLENGE TO PARLIAMENT AND IS THE ROAD TO ANARCHY AND RUIN", The British Gazette, Londres, 6 de maio de 1926, primeira página, em declaração assinada pelo primeiro-ministro Stanley Baldwin.
Em português: a greve geral é um desafio ao Parlamento e é o caminho para a anarquia e a ruína.
O British Gazette era o diário do governo. O primeiro número saiu em 5 de maio, nas rotativas do Morning Post, na Tudor Street, com Winston Churchill no comando da edição.
Churchill requisitou papel de imprensa dos jornais parados e recrutou voluntários para rodar as máquinas. Foram oito números entre 5 e 13 de maio.
A tiragem do primeiro dia foi de 232 mil exemplares. A do último chegou a 2.209.000, marca que nenhum diário britânico alcançava naquela semana.
O TUC respondeu com o próprio jornal. O British Worker estreou também em 5 de maio, impresso na oficina do Daily Herald, em Long Acre, e vendido por um pêni, o mesmo preço do jornal do governo.
O governo controlava o papel, e o papel virou arma. A cota do Worker foi cortada, o número de páginas encolheu e a tiragem parou perto de 700 mil exemplares, com edições em Manchester, Glasgow, Cardiff e Newcastle.
Fleet Street tentou manter alguma coisa de pé. O Times conseguiu rodar uma edição reduzida com pessoal voluntário, em fração da tiragem de um dia comum, e boa parte dos diários nacionais simplesmente não circulou.
O que sobrou, para o país inteiro, foi o rádio.
A British Broadcasting Company, ainda empresa privada dirigida por John Reith, tinha acordo que a proibia de ler notícia antes das sete da noite, para não atrapalhar a venda dos vespertinos. A regra caiu na primeira manhã da greve.
Passaram a sair cinco boletins por dia, às dez, à uma, às quatro, às sete e às nove e meia. Havia cerca de dois milhões de licenças de recepção, e cada aparelho servia uma casa inteira.
Em 8 de maio, Baldwin falou ao microfone da sala de estar de Reith, em Barton Street. Disse que era um homem de paz e que não entregaria a segurança da constituição britânica.
Nem todo mundo teve o mesmo direito de fala. O arcebispo da Cantuária, Randall Davidson, preparou um apelo por conciliação e não conseguiu autorização para lê-lo. Ramsay MacDonald também ficou de fora.
Churchill queria mais. Propôs ao gabinete requisitar a emissora, como tinha feito com o papel, e Baldwin recusou.
Em 7 de julho de 1926, já com a greve encerrada, Churchill resumiu na Câmara dos Comuns o jornal que tinha editado.
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Recuso-me terminantemente a ser imparcial entre o corpo de bombeiros e o incêndio.
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Na manhã de 12 de maio, uma delegação do TUC entrou em Downing Street e encerrou a greve sem nenhuma garantia escrita sobre o salário dos mineiros. Reith anunciou o fim ao microfone e, no lugar de comentário, leu os versos de William Blake que a Inglaterra canta como Jerusalém.
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